TrRonco e apneia

Apneia do sono: do CPAP à cirurgia, o que considerar em cada caminho

A apneia obstrutiva do sono tem quatro caminhos de tratamento, isolados ou combinados: CPAP, aparelho intraoral, cirurgia e medidas clínicas.
O CPAP é o tratamento de referência nos quadros moderados e graves. Ele funciona enquanto é usado, e a adesão de longo prazo é o principal limitador do método.
A cirurgia não é alternativa automática nem última tentativa. Ela entra quando existe uma causa anatômica identificável para o colapso da via aérea.

Publicado em17 de agosto de 2026
Última revisão médica22 de setembro de 2026
Dr. Alfredo Lara
Autoria e revisão técnica
Dr. Alfredo Lara
Cirurgião Crânio-Maxilo-Facial, área de atuação, RQE 484261 · Especialista em Otorrinolaringologia, RQE 48426 · CRM-SP 126481
Em resumo

O que este texto responde

O CPAP funciona enquanto é usado: ele contorna a obstrução com pressão de ar, mas não corrige a anatomia que faz a via aérea fechar.

Quando o aparelho não se sustenta na rotina, a causa costuma ter endereço, e o nariz obstruído é um dos motivos mais frequentes de abandono.

A escolha entre CPAP, aparelho intraoral, cirurgia e medidas clínicas depende de saber onde e quanto a via aérea colapsa, o que exige exame de sono, endoscopia e leitura da estrutura facial.

O aparelho está na mesa de cabeceira. Foi usado por três semanas, talvez dois meses, e agora divide espaço com o abajur. 

Essa cena se repete no consultório com uma frequência que não é acaso: o CPAP funciona quando é usado, e é justamente o uso que costuma ser o obstáculo.

Isso não desqualifica o aparelho. Ele segue sendo o tratamento de referência para a apneia obstrutiva moderada e grave, e para muita gente é a solução que devolve o sono. 

O que falta é a conversa sobre o que fazer quando ele não se sustenta na rotina. Essa conversa raramente acontece, e é dela que este texto trata.

Quais são os tratamentos para apneia do sono hoje?

A apneia obstrutiva é tratada por quatro caminhos, isolados ou combinados: o CPAP, que mantém a via aérea aberta com pressão de ar, o aparelho intraoral, que avança a mandíbula durante o sono, a cirurgia, que atua sobre a causa anatômica da obstrução, e as medidas clínicas, como controle de peso e ajuste de posição para dormir.

CaminhoO que fazQuando costuma ser considerado
CPAPEntrega ar sob pressão e impede o colapso da via aérea durante o sonoQuadros moderados e graves, como primeira linha
Aparelho intraoralAvança a mandíbula e amplia o espaço na faringeQuadros leves e moderados, ou quando o CPAP não é tolerado
CirurgiaCorrige a obstrução no ponto anatômico em que ela ocorreQuando há causa anatômica identificável, isolada ou somada aos demais
Medidas clínicasReduzem a gravidade dos eventos respiratóriosSempre, como base, e nunca como tratamento único em quadros graves

Os quatro não competem entre si. Na prática, a maioria dos casos combina pelo menos dois.

Por que o CPAP funciona e ainda assim é abandonado?

O CPAP não corrige a obstrução, ele a contorna. Entrega ar sob pressão e impede que a via aérea colapse enquanto a pessoa dorme. Enquanto está em uso, funciona bem. 

O problema aparece na adesão ao longo do tempo, que a diretriz da American Academy of Sleep Medicine trata como parte central do tratamento, e não como detalhe.

Os motivos do abandono se repetem e quase nunca têm a ver com falta de disciplina:

  • Desconforto da máscara e marcas no rosto;
  • Ressecamento nasal e de garganta ao longo da noite;
  • Dificuldade de uso em viagem e fora de casa;
  • Sensação de dependência de um aparelho para dormir;
  • Obstrução nasal que impede a pressão de passar.

Esse último item merece atenção especial. Quando o nariz está obstruído, o aparelho precisa de pressão maior para vencer a resistência, e pressão maior é exatamente o que o paciente não tolera. Tratar a obstrução nasal, nesses casos, não substitui o CPAP: torna o CPAP utilizável.

A diretriz da American Academy of Sleep Medicine sobre pressão positiva na apneia do sono (Patil e colaboradores, 2019) recomenda educação estruturada antes de iniciar o tratamento, acompanhamento próximo nas primeiras semanas e verificação objetiva do uso, porque os pacientes costumam superestimar quanto tempo de fato usam o aparelho. Vale dizer o óbvio: aparelho na gaveta não é tratamento, é prescrição parada.

Quando a cirurgia entra na conversa

A cirurgia é considerada quando existe causa anatômica identificável para o colapso e quando o CPAP não se sustenta na rotina, ou não basta sozinho. 

Não é alternativa automática ao aparelho, nem último recurso depois que tudo falhou. É a opção que faz sentido quando a obstrução tem endereço.

Cirurgia de apneia não é um procedimento único. É uma família de procedimentos que muda conforme o ponto em que a via aérea fecha, e por isso a investigação precede a indicação.

Nível da via aéreaO que pode estar envolvido
NarizDesvio de septo, hipertrofia de cornetos, colapso da válvula nasal
FaringeAmígdalas aumentadas, palato longo, excesso de tecido mole
Base da línguaVolume e posicionamento da língua durante o sono
Estrutura ósseaPosição da maxila e da mandíbula em relação à via aérea

Nos casos em que a origem está na posição dos maxilares, a conduta cirúrgica atua na base do problema, sobre a estrutura que sustenta a via aérea aberta. 

É a interseção entre a otorrinolaringologia e a Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, e é onde a minha prática se concentra.

Como essa decisão é conduzida no consultório

A escolha não é minha sozinha, nem do paciente sozinho. Eu apresento os cenários com o que se sabe de cada um: o que exige de rotina, o que costuma resolver, o que não resolve e o que ainda é incerto.

A decisão sai dessa conversa, ancorada no exame, na anatomia e na vida de quem vai conviver com ela.

Um paciente que viaja três semanas por mês tem uma equação diferente da de quem dorme na mesma cama todas as noites. Nenhuma das duas é mais correta em abstrato.

Também digo sempre a mesma coisa: apneia é condição a manejar ao longo do tempo, não um problema que se encerra numa data. 

Mesmo depois de uma cirurgia bem indicada, o acompanhamento continua, e metade do resultado depende do que o paciente faz no pós-operatório.

O que a avaliação precisa cobrir antes de qualquer indicação?

Antes de decidir, é preciso saber onde a via aérea fecha e quanto ela fecha. Isso envolve o exame de sono, o exame clínico do nariz e da garganta, a endoscopia da via aérea e a leitura da estrutura facial. Sem esse mapa, qualquer indicação vira suposição com nome técnico.

  • Polissonografia ou exame de sono domiciliar, conforme o caso;
  • Exame otorrinolaringológico completo, com avaliação da passagem nasal;
  • Endoscopia nasal e da faringe, feita em consultório;
  • Leitura da relação entre maxila, mandíbula e via aérea;
  • História clínica de sono, peso, uso de aparelhos anteriores e rotina.

No consultório, no Itaim Bibi, em São Paulo, essa avaliação é feita numa consulta só sempre que possível, para que o paciente saia entendendo o próprio caso, e não com mais uma lista de encaminhamentos.

Perguntas frequentes sobre o tratamento da apneia do sono

A cirurgia de apneia do sono substitui o CPAP?

Em alguns casos sim, em outros não. Quando a obstrução tem causa anatômica bem definida e corrigível, a cirurgia pode tornar o aparelho desnecessário. Em quadros graves ou com vários pontos de colapso, ela costuma reduzir a pressão necessária e melhorar a tolerância ao CPAP, funcionando em conjunto e não em substituição.

Apneia do sono tem cura?

Apneia é uma condição crônica, ligada a anatomia, peso, idade e tônus muscular. O objetivo do tratamento é controlar os eventos respiratórios e devolver um sono que descanse, não prometer encerramento definitivo. Mesmo com boa resposta, o acompanhamento periódico permanece parte do cuidado.

Perder peso resolve a apneia do sono?

A redução de peso costuma diminuir a gravidade da apneia e é parte do tratamento em quem tem sobrepeso. Só que ela não corrige um septo desviado, um palato estreito ou uma mandíbula recuada. Quando a causa é estrutural, o peso ajuda, mas não substitui a correção da anatomia.

Avaliação de ronco e apneia com o Dr. Alfredo Lara

Se o aparelho não se sustentou na sua rotina, ou se você quer entender por que ele foi indicado antes de decidir qualquer coisa, o passo é mapear onde a sua via aérea fecha. A conduta vem depois desse mapa, nunca antes.

Atuação na via aérea e na Cirurgia da Face, em São Paulo. Atendimento por hora marcada, no Itaim Bibi.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Cada caso tem particularidades que só uma avaliação presencial pode identificar. Se você tem sintomas ou dúvidas sobre o seu caso, procure Dr. Alfredo Lara (Alfredo Lara Gaillard) · CRM-SP 126481 · Cirurgião Crânio-Maxilo-Facial, área de atuação, RQE 484261 · Especialista em Otorrinolaringologia, RQE 48426, ou outro profissional da sua confiança.
Dr. Alfredo Lara

Dr. Alfredo Lara

Cirurgião Crânio-Maxilo-Facial, área de atuação, RQE 484261 · Especialista em Otorrinolaringologia, RQE 48426 · CRM-SP 126481

Formado em Medicina pela FAMERP, atua na avaliação integrada da via aérea e da estrutura da face, com atendimento no Itaim Bibi, em São Paulo, e cirurgias em hospitais de alta complexidade. Atende em português, inglês e alemão.

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